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Educação do consumidor – o caroço da cebola

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Há dias fui procurado por um colega professor que, tendo um tempo limitado para dedicar à abordagem de um tópico de consumo, me perguntava o que era mais importante neste domínio, o que deveria ser tratado e conquistado de forma prioritária. O dilema do colega era simples: nunca tinha abordado esta área e sabendo, de antemão, que dificilmente teria oportunidade de voltar ao assunto, ambicionava produzir o máximo efeito educativo, apontando certeiro ao mais importante do tema.

Ensaiei algumas respostas evasivas que não escondiam a minha dificuldade em responder ao seu pedido, acabando por sugerir alguns problemas com relevo e atualidade na área do consumo. Mas o meu colega queria que eu lhe revelasse a quinta-essência da educação do consumidor e, assim, insistia comigo, declinando cada sugestão minha, como quem vai descascando um fruto por suspeitar que, abaixo da superfície dos temas mais comuns, haveria algo de mais suculento.

Ocorreu-me, nessa ocasião, uma cena célebre de um filme de Stephen Frears, já com uns 20 anos, no qual uma jornalista, personagem interpretada pela atriz Geena Davis, descascava uma cebola - metáfora da busca inglória da verdade - apenas para concluir que, camada após camada, não há nada, no interior, que seja mais verdadeiro ou mais autêntico que a superfície mais imediatamente visível.

De facto, para encontrar algum tema que mereça a pena trabalhar, pedagogicamente, não é normalmente preciso escavar mais fundo do que a superfície do quotidiano.

Para orientar este e outros professores, virá ser útil o futuro referencial de Educação do Consumidor, do Ministério da Educação, como já existe em Portugal, desde há alguns meses, para a Educação financeira[1]. Podendo ser - como este último é - “de natureza flexível, não prescritivo” e discutível como qualquer opção programática, será, ainda assim, de grande utilidade se apresentar uma organização das questões de consumo por níveis de educação e por ciclos de ensino – educação pré-escolar, 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e ensino secundário -  com temas globais, desdobrados em subtemas e depois traduzidos em objetivos pedagógicos.

“Mas, afinal, se tivesses que identificar o cerne da educação do consumidor, o que seria?”. A assertividade do meu colega colocou-me contra a parede, obrigando-me a eleger um “caroço” para a cebola: “A educação para os valores - nomeadamente os valores cívicos - e o empoderamento dos consumidores”. Fiquei à espera de uma reação de estranheza, semelhante à que recebi quando, num fórum sobre os caminhos a trilhar para realizar a educação financeira dos jovens, sugeri a educação para as emoções…

Mas o meu colega conhecia o conceito de empoderamento. Ótimo! E facilmente reconheceu a necessidade de educar para a responsabilidade comunitária que deve estar subjacente às nossas decisões e ações privadas no mercado de bens e serviços. Estávamos, pois, em sintonia.

Antes de a conversa chegar ao fim, e pensando no trabalho com os alunos, ainda tive tempo para lançar ao meu colega alguns desafios que considero serem igualmente centrais no trabalho de educar os jovens consumidores de hoje:

- retirar a carga negativa com que muitas das mensagens de educação do consumidor ressoam aos ouvidos juvenis;

- desconstruir a crença de que o “verdadeiro” consumo e consumismo só começam na idade adulta, com o inerente universo de papéis e responsabilidades, e que apenas uma vez chegado “lá” é que é preciso ter um comportamento responsável;

- renovar continuamente o diagnóstico das necessidades e anseios dos jovens, mantendo sempre, como principal foco, os seus interesses e experiências de vida.

Em Portugal, como em tantos outros países, está ainda fresco o início de mais um ano letivo. Tão fresco como uma cebola por descascar. Desejei sorte ao meu ansioso colega e que não cometesse o erro de não fazer nada por só poder fazer um pouco.

 

Paulo Lima 0
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